«O peso e a grandeza da Cruz!…»

 

Perante a vida podemos assumir várias atitudes e realizar várias leituras que refletem a pessoa, a personalidade e o carácter. Nós portugueses, estamos sempre a andar como diz o nosso povo, mesmo mal, ‘vamos andando’ Significa a vontade férrea de enfrentar a vida e nunca desistir? Para as gerações mais velhas penso ser esta a melhor interpretação. Para as gerações mais novas, postas a ‘andar nos carrinhos’ desde cedo, não podemos dizer que andam, antes dizemos que são ‘empurradas’. Bom seria que não fosse assim para toda a vida, pois parece que as habituaram mal e por isso fala-se cada vez mais na ‘geração nem nem!’ Isto é, jovens adultos que não estudam e não trabalham! A crise explica tudo? Tudo depende das perspetivas e de quem faz os estudos. Nota-se a falta de sonhos, ideais, esperanças, projetos e perspetivas. São muitas as razões e várias as condicionantes do ‘nem nem’! Pudera termos soluções para tudo.

O Evangelho deste domingo apresenta a cruz num ideário nem sempre compreendido: «Quem não toma a sua cruz para me seguir não pode ser meu discípulo». A cruz é o símbolo do cristão porque nela morreu Cristo, e é o acontecimento salvífico para os cristãos. Temos o bom costume de fazermos o sinal da cruz, sinal que aderimos ao ato salvífico de Jesus na cruz por nós. Temos o crucifixo em que Jesus está pregado na cruz e que é objeto de veneração e devoção. A cruz é sinal de dom da vida de Jesus no alto do Calvário. Desde os primeiros tempos da Igreja, os cristãos são marcados na fronte com o sinal da cruz (Ap 7,3). A cruz é para os cristãos o sinal exterior da Nova Aliança dos homens com Deus, no sangue de Cristo (Mt 26,27s; Mc 14,24, Lc 22,20). Recordo-me de um hino que dizia: «Levar a cruz dos outros, levar a cruz com os outros, levar a cruz sem os outros, levar a cruz e os outros. Levar a cruz que não quero, levar a cruz que não espero, levar a cruz que não amo!.(Manuel Dias, O livro da vida). Conta-se que um grupo de pessoas foi convidado a subir uma montanha com uma cruz à costas de diferentes tamanhos. Uma delas queixou-se do tamanho e do peso da sua cruz. Resolveu por isso, ir cortando pedaços da cruz de modo a torná-la mais leve e assim aliviar a subida. As restantes lá iam subindo com a cruz que lhes coube em sorte, dizemos nós! Iam assim ultrapassando todos os obstáculos. A quem ficou com a cruz pequena devido aos cortes, apercebeu-se que não podia continuar o caminho, pois tinha de passar no desfiladeiro e para tal teria de usar a cruz. Como a sua não alcançava de um ao outro lado, teve de ficar a ver os outros a passar! Nem sempre estamos contentes com a vida e de tanto querermos mudá-la, vemos obstáculos e não vemos soluções. Sª Teresa de Ávila nos ensina: ‘Nada te pertube, nada te falte. Só Deus Basta!’      Pe. B. Trindade,scj